Prêmio Jabuti 2019: os finalistas na categoria Romance

Crédito da foto: Divulgação

Vamos continuar com nossas listas de finalistas do Prêmio Jabuti 2019, desta vez com a categoria Romance. 

Como não poderia deixar de ser, os livros selecionados pelo Conselho Curador do Prêmio são de altíssima qualidade.

A lista deste ano traz um bom número de vozes femininas, com temas que vão do desemprego ao universo LGBT.

Sem mais delongas, vamos conhecer os finalistas de 2019!


Leia também: Os finalistas na categoria História em Quadrinhos do Prêmio Jabuti


A Biblioteca Elementar 

O primeiro livro da nossa lista de finalistas do Prêmio Jabuti na categoria Romance é A biblioteca elementar, de Alberto Mussa.

No Rio de Janeiro do século XVIII, uma mulher sai no meio da noite, quando dois homens começam uma briga e um deles cai morto. A misteriosa mulher se torna a única testemunha do crime.

Em A biblioteca elementar, Mussa mistura romance policial com o contexto do Rio de 1733: tráfico de escravos, inquisição e contrabando de ouro no período colonial. 

Além disso, o autor trabalha com temas universais, como a ideia do Bem contra o Mal e a sexualidade de homens e mulheres. 

A biblioteca elementar é último livro do ciclo de romances históricos de Alberto Mussa, intitulado Compêndio Mítico do Rio de Janeiro.

Os outros livros que fazem parte do Compêndio são: 

Nascido em 1961, Alberto Mussa foi consagrado com diversos prêmios, entre eles o Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional.

Seus livros já foram publicados em 17 países e traduzidos para 14 idiomas.

A biblioteca elementar


A Tirania do Amor

Prêmio Jabuti Romance: A Tirania do Amor, de Cristovão Tezza

Cristóvão Tezza é um dos mais importantes autores dos últimos anos, vencedor do Jabuti de melhor romance em 2008 com O Filho Eterno.

Agora o escritor catarinense entra na lista dos finalistas do prêmio com A Tirania do Amor, publicado pela editoria Todavia.

Neste romance, Tezza conta a história de Otávio Espinhosa, um economista passando por problemas pessoais e que corre o risco de perde seu emprego.

Otávio tem de lidar com um casamento problemático, um filho que rejeita sua vida e filosofia, e o fim de sua carreira acadêmica. 

Como se fosse pouco, a empresa de investimentos que Espinhosa trabalha está muito próxima de um escândalo. 

Usando a crise do protagonista como mote, o autor fala sobre o panorama atual do país, mergulhado em uma intensa polarização política.

“A literatura pode ser um ótimo antídoto contra a brutalidade polarizada dos nossos tempos. Ao deslocar o foco das abstrações políticas e teóricas, das massas homogêneas e mecânicas de pensamento e representação, para a incrível complexidade das pessoas, tomadas isoladamente, a literatura de ficção abre um caminho de percepção da realidade que é naturalmente mais generosa e tolerante” – Cristovão Tezza em entrevista para a Istoé

A tirania do amor


Cloro

Em Cloro, romance de Alexandre Vidal Porto, o protagonista é Constantino, um advogado que passa a vida inteira escondendo sua homossexualidade. 

Constantino descobre que é gay ainda jovem, mas decide negar sua identidade. Ele mantém um casamento que dura 30 anos e tem dois filhos. 

Cloro é o terceiro romance de Alexandre, que também é diplomata – e um dos poucos assumidamente homossexuais no Itamaraty.

O livro tem muitos traços autobiográficos, mas o autor que a inspiração veio de uma notícia sobre um homem que morreu enquanto tentava fugir de uma sauna gay.

“Nunca havia escrito sobre um homem homossexual reprimido – coisa que eu, por quase três décadas, fui.(…) Experimentei um desgaste emocional que não tinha enfrentado nos meus livros anteriores. Constantino e eu nascemos no mesmo ano. Ele era uma pessoa que eu poderia ter sido, mas não fui”, disse Alexandre sobre seu romance

Além de tocar na questão da sexualidade, Cloro também fala sobre relacionamentos e a intimidade dos casais. 

Alexandre Vidal Porto escreveu também Sérgio y. Vai à América e Matias na Cidade

Cloro


Enterre seus mortos

Prêmio Jabuti Romance: Enterre seus mortos, de Ana Paula Maia

Edgar é uma pessoa com um trabalho incomum: sua função é retirar os animais mortos das estradas.

Um dia, ele se depara com algo que vai muito além do que está habituado: ele encontra uma mulher enforcada na mata. 

Diante da incapacidade da polícia local, Edgar é obrigado a lidar com o corpo, junto com seu colega Tomás, um padre excomungado.

A autora de Enterre seus mortos é Ana Paula Maia, escritora e roteirista que também publicou Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos.

O livro é uma mistura de faroeste com romance filosófico, mostrando a originalidade da autora e tocando em assuntos como a morte, violência, brutalidade e religião. 

Enterre seus mortos


Entre as Mãos 

Nascida em Petrópolis (RJ), Juliana Leite entrou na lista dos finalistas do Jabuti com Entre as Mãos, seu romance de estreia. 

Vencedor do Prêmio Sesc de Literatura em 2018 e do Prêmio APCA, o livro é focado em Magdalena, uma tecelã que tem de retomar sua vida após sofrer uma acidente.

O livro é dividido em três partes (Trama, Avesso e Linhas Soltas), que misturam diferentes cenas e pontos de vista. 

Magdalena é obrigada a reaprender a lidar com seu corpo, principalmente com a fala, que foi severamente afetada. 

Em Entre as Mãos, Juliana usa a não-linearidade para contar uma sensível e profunda história. 

“O romance faz uma espécie de viagem ao passado e ao futuro desse acidente, pensando em como é possível sobreviver a uma tragédia pessoal. Essa reflexão passa bastante pelo cotidiano, o nosso heroísmo humano de sobreviver às tragédias é muito baseado em acordar, tomar um café, preparar alguma coisa para comer, pensar nas contas que tem para pagar”, conta a autora 

Entre as mãos


Eufrates

Prêmio Jabuti Romance: Eufrates, de André de Leones

Eufrates é um nome de um importante rio no Oriente Médio, que nasce na Turquia e flui pela Síria e Iraque, formando com o rio Tigre a região da Mesopotâmia.

Este rio dá nome para o sexto romance de André de Leones, que foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura em 2006 com Hoje está um dia morto

Assim como o rio, o livro passa por vários países, como Brasil, Argentina e Israel, contando a história de encontros e desencontros de dois amigos, Jonas e Moshe. 

Além da amizade, que é o eixo principal do romance, Eufrates se debruça sobre o cotidiano de pessoas comuns, com suas perdas, seus conflitos e separações. 

“Escrevo para qualquer pessoa que esteja disposta a olhar para si e para o outro com um mínimo de interesse, cuidado e generosidade. Escrevo porque sim, e este “sim” não é um “sim” qualquer – é o “sim” que se abre a tudo o que está aí fora, o “sim” de quem se coloca desarmado diante do mundo” – explicou o autor em entrevista para o Portal UAI

Eufrates


Manual da demissão

 

Desde 2014, o Brasil vem passando por uma longa crise econômica, e o número de desempregados deixa isso bem evidente: 12,6 milhões estavam sem trabalho em julho de 2019, segundo o IBGE.

Nesse cenário, um romance chamado Manual da Demissão até que vem bem a calhar.

O livro de Juliana Wähmann foi classificado como “um carinho bem-humorado” para aqueles que ficaram sem trabalho.

A narradora do romance, J., começa o livro falando sobre sua demissão. Como desgraça pouca é bobagem, ela também perde o namorado. 

Depois, a protagonista começa a lidar com o vazio de uma rotina sem trabalho, se encontrando com amigos que também ficaram sempre emprego.

Manual da Demissão mostra que o desemprego afeta muito mais do que o nosso bolso, se tornando a dolorosa separação de algo que ocupava a maior parte da vida da protagonista.

Em seu romance, Juliana traz uma reflexão leve – mas não por isso menos profunda – do Brasil dos últimos tempos. 

Manual da Demissão


Mauricéa

Prêmio Jabuti Romance: Mauricéa, de Adrienne Myrtes

Mauricéa – ou cidade maurícia – era como a cidade do Recife (PE) foi chamada durante a invasão holandesa, no século XVII.

E é da capital pernambucana que vem um dos finalistas do Prêmio Jabuti.

O romance de Adrienne Myrtes conta a história de Mauricéa, uma mulher trans que nasceu em Recife. 

A protagonista nasceu Omar, e sua mãe morre no parto. Desde pequena tinha dificuldade de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos, sofrendo com imposições e preconceito.

Após perder o emprego como garçom por causa de reclamações de clientes, Omar se torna travesti, adotando o nome da mãe. 

Mauricéa narra sua história enquanto está acamada, após ser agredida por idosos com quem divide a fila dos remédios em um posto de saúde. 

O romance de Adrienne Myrtes conta uma vida de durezas e humilhações de uma maneira tocante e com um humor melancólico.

Além de escritora, Adrienne também é artista plástico e publicou outros livros, como Eis o Mundo de Fora

Mauricéa

  • Autora: Adrienne Myrtes 
  • Editora: Edith
  • Páginas: 117

Nunca houve um castelo

Nunca houve um castelo é um dos livros finalistas do Prêmio Jabuti na categoria romance, escrito por Martha Batalha, também autora de A vida invisível de Eurídice Gusmão.

Assim com em seu romance de estreia, Martha usa o Rio de Janeiro como pano de fundo para sua história.

O castelo do título existiu de fato, e foi construído em 1904 por encomenda do cônsul sueco Johann Edward Jansson.

A casa foi uma das primeiras do bairro de Ipanema, na época um local isolado do resto da cidade. 

Johann veio da Europa para o Rio de Janeiro por causa de problemas de saúde de sua esposa.

Partindo do castelo, Martha mistura fato e ficção, fazendo um retrato de três gerações da família Jansson, passando por mais de um século de história. 

Através de personagens complexos, o romance aborda temas que marcaram o Brasil em todos estes anos, como a ditadura militar e a emancipação das mulheres. 

Além disso, o bairro de Ipanema também é um dos protagonistas da história, evoluindo de um local quase inabitado para se tornar um dos lugares mais valorizados do Rio. 

Nunca houve um castelo


O pai da menina morta 

Prêmio Jabuti Romance: O pai da menina morta

O último livro da nossa lista de finalistas do Prêmio Jabuti é O pai da menina morta, romance de estreia de Tiago Ferro. 

Com um estilo fragmentado, esta é uma obra dolorosamente autobiográfica, já que o autor perdeu sua filha quando ela tinha 8 anos.

Através das idas e vindas entre o passado, presente e futuro, o livro faz com que o leitor se sinta dentro da mente do narrador.

O pai da menina morta fala trata de luto e da angústia de quem perdeu um ente querido e precisa continuar a viver. 

“Eu sempre serei o pai da menina morta. Não estou procurando ou exigindo qualquer tipo de justiça. Eu simplesmente aceito a dor aguda na ausência. No vazio. Nós também somos feitos de espaços em branco” 

O pai da menina morta


O mais importante prêmio de literatura do país terá sua cerimônia de premiação no dia 28 de novembro, em São Paulo. 

Os vencedores em cada categoria levarão R$ 5 mil. Já o ganhador de Livro do Ano receberá R$ 100 mil.

Até o dia da premiação, nós voltaremos a falar dos livros finalistas da 61ª edição do Prêmio Jabuti. Fique de olho!

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