7 livros para entender a política brasileira na última década

Política Brasileira: manifestações de 2013
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A política brasileira – que não é exatamente a coisa mais tranquila do mundo – ficou bem confusa nos últimos década.

De 2013 para cá, tivemos manifestações, black blocks, impeachment, Operação Lava Jato, escândalo da JBS…

Não tem sido fácil acompanhar tudo isso, mas a gente pode te ajudar.

Separamos uma lista de livros de política brasileira que falam sobre os acontecimentos desta última década.

Como não poderia deixar de ser, a maioria foi escrita por jornalistas, gente que estava no olho do furacão dos acontecimentos.

Se você quer entender mais profundamente os fatos deste turbilhão que foi a política brasileira nos últimos anos, veio ao lugar certo.

Vamos lá!

(atenção: os preços podem sofrer alterações)

Mil dias de tormenta, de Bernardo Mello Franco

Política Brasileira: Mil dias de tormenta

A partir de 2015, o Brasil começou a viver uma intensa crise política.

Em 2014, as eleições presidenciais apertadas e a Operação Lava Jato fizeram com que muita gente pedisse o impeachment de Dilma Rousseff.

Impeachment que foi articulado por figuras como o candidato derrotado Aécio Neves, o deputado Eduardo Cunha e o então vice-presidente, Michel Temer. 

Dilma saiu do Planalto, mas a Lava Jato não parou  – como era a intenção de muitos políticos.

Cunha foi preso e Temer sobreviveu a duas ações criminais (isso quando era presidente, depois a história foi outra).

Bernardo Mello Franco é colunista da Folha de S. Paulo, e acompanhou todo este turbilhão de perto.

Mil dias de tormenta reúne colunas entre janeiro de 2015, dia da posse de Dilma, até outubro de 2017, quando a Câmara arquivou a segunda denúncia contra Temer. 

Com colunas curtas e uma escrita ágil, o livro de Bernado Mello Franco serve como um resumo detalhado deste período turbulento. 

Mil dias de tormenta


Dinheiro, eleições e poder

Política brasileira: Dinheiro, eleições e poder

A Operação Lava Jato começou em 2014 e, de lá para cá, prendeu muita gente importante da política brasileira, como o ex-presidente Lula.

O foco da operação é o pagamento de propinas em troca de contratos com a Petrobras, pagas por construtoras como a Odebrecht. 

Em Dinheiro, eleições e poder, o autor Bruno Corazza mostra que essa relação entre construtoras e governo não é nada nova.

Especialista em direito e economia, Corazza juntou informações sobre doações de campanha e cruzou estes dados com tramitação de projetos e atuação parlamentar. 

Dinheiro, eleições e poder mostrar como leis e políticas públicas são formulados de acordo com o interesse de grupos que têm fácil acesso às autoridades. 

Livro fundamental para quem quer se aprofundar na questão do ‘caixa 2’ e entender as profundezas da política nacional.

Dinheiro, eleições e poder


Leia também: 7 livros de história do Brasil para entender melhor o nosso país


A outra história do mensalão, de Paulo Moreira Franco

Antes da operação Lava Jato, havia o escândalo do mensalão. Antes de Sérgio Moro, o juiz que ocupava as manchetes era Joaquim Barbosa, ministro do STF. 

Ocorrido entre 2005 e 2006, o tal do mensalão envolvia a compra de votos de deputados no Congresso Nacional. 

A denúncia do Ministério Público chegou ao Supremo Tribunal Federal em 2012, onde foram julgados os 38 réus do caso. 

Paulo Moreira Leite foi diretor da Época e da Istoé, e acompanhou com atenção todo o desenrolar jurídico no STF, que durou quase 6 meses.

Com olhar detalhista, em seu livro o jornalista aponta as inconsistências do processo – que foi criticado por diversos juristas. 

“Ao lado da compreensão e do aplauso de muitos, a reação dos desagradados com a veracidade jornalística tem mostrado, no decorrer da Ação Penal 470, uma carga de ódio e de ferocidade não perceptíveis desde a ditadura. Seria mais um efeito do modo prepotente como o julgamento foi impulsionado?” (Janio de Freitas, no prefácio de A outra história do mensalão)

Livro importante para entender um dos mais importante julgamento da Suprema Corte e também para saber como o STF conseguiu o protagonismo que possui atualmente.

A outra história do mensalão


Os Onze

Aproveitando que estamos falando do Supremo Tribunal Federal, nossa próxima indicação é um livro que se debruça sobre os bastidores do mais importante tribunal do país. 

Os Onze foi escrito por Felipe Recondo, jornalista que cobre o STF há mais de uma década, e por Luiz Weber, advogado e jornalista especializado em temas jurídicos.

Desde 2012, no julgamento da ação penal 470 (o caso do Mensalão), o Supremo e seus juízes ganharam grande destaque na política nacional. 

Para entender melhor como funciona o tribunal e como pensam os onze ministros, Weber e Recondo fizeram centenas de entrevistas ao longo de mais de 10 anos.

Além dos ministros, foram também ouvidos advogados, ex-procuradores, parlamentares e assessores dos gabinetes. 

Com isso, o foco do livro são detalhes dos julgamentos e a relação do STF com a imprensa e com a opinião pública. 

Entre os principais pontos de Os Onze, estão a morte do ministro Teori Zavascki, a operação Lava Jato e, claro, o julgamento do mensalão.

Felipe Recondo também é autor de Tanque e togas, que analisa o papel do Supremo durante a ditadura militar.

Os Onze

Leia também: Nada menos que tudo: o polêmico livro de Rodrigo Janot


Perigosas pedaladas

Política Brasileira: Perigosas pedaladas, de João Villaverde

No dia 2 de dezembro de 2015, foi aceita a denúncia de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff.

Entre outros pontos, o pedido de impeachment falava sobre as chamadas “pedaladas fiscais” – nome dado para a contabilidade “criativa” do governo. 

Durante as discussões do impeachment, falou-se muito da economia, da operação Lava Jato e afins, mas pouco se falou das pedaladas, que era o principal motivo do processo. 

Perigosas pedaladas, escrito pelo jornalista João Villaverde, vai fundo no assunto, explicando o que, quando e como ocorreram as tais pedaladas. 

O livro mergulha em documentos para explicar os atrasos nos repasses de verbas a bancos públicos, feito para dar uma melhora artificial na situação fiscal do governo. 

João Villaverde fala sobre as pedaladas fiscais

Além disso, o jornalista traz detalhes de reuniões governamentais e o papel de diferentes segmentos (economistas,  investigadores e advogados do governo) dentro do caso. 

Perigosas pedaladas é um livro indicado não só para quem quer saber mais sobre este caso, mas também para quem quer se aprofundar na questão das finanças públicas e da política fiscal. 

Perigosas Pedaladas


A Forma Bruta dos Protestos

Neste mês de outubro de 2019, o Chile passa por intensos protestos, que começaram em razão do aumento da passagem do metrô em Santiago.

Parece um filme que já vimos antes: em 2013, em São Paulo, as manifestações contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus tomaram enormes proporções.

Depois de um tempo, muita gente estava na rua, cada um protestando por uma coisa diferente – e com os black blocs aprontando altas confusões.

E no fim das contas, muita gente não entendeu muita coisa do que aconteceu naquele mês de junho.

Nesse sentido, A forma bruta dos protestos, escrito pelo jornalista e professor da USP Eugênio Bucci, tenta aprofundar o entendimento do que foram aquelas manifestações

Em seu livro, Bucci defende que os efeitos de 2013 foram sentidos três anos depois, contribuindo para o impeachment de Dilma Rousseff.

O autor faz uma reflexão sobre os movimentos políticos dessa década, explicando porque os protestos fugiram da compreensão de muitas pessoas. 

Política Brasileira: Eugênio Bucci e as manifestações de 2013

A forma bruta dos protestos


O ódio como política

Política Brasileira: O ódio como política

De 2014 para cá, a intensificação da crise política e econômica fez com que crescesse a polarização política no país. 

Com a polarização, veio também outro fator: o ódio.

O uso do ódio e o ressentimento nas eleições é um acontecimento global e um dos grandes responsáveis pelo crescimento da direita nos últimos anos.

Esther Solano, autora de Mascarados (que analisa a atuação dos black blocks em 2013) reuniu um time de intelectuais para analisar o fenômeno que conseguiu seguidas vitórias eleitorais. 

O ódio como política traz textos de autores como Ferréz, Luis Felipe Miguel, Pedro Casara, Carapanã e Márcio Moretto, entre outros.

O livro trata sobre o conservadorismo nas periferias, na influência do Poder Judiciário dentro da política, as redes sociais e o fundamentalismo, entre outros temas extremamente atuais. 

Lançado pela editora Boitempo durante as eleições de 2018, O ódio como política é um livro fundamental para entender os novos tempos em que estamos vivendo.

O ódio como política


Conclusão

Nossa lista tentou trazer livros que falam sobre os temas mais relevantes da política brasileira na última década, principalmente a partir de 2013. 

E agora nós queremos ouvir a sua opinião: qual desses livros você já leu e considera uma leitura indispensável?

E qual livro de política brasileira você acha que ficou de fora da nossa lista?

Comente, compartilhe e até a próxima!

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